terça-feira, 28 de agosto de 2012

Com Guimarães Rosa, um retorno precioso ao grego e seu physis kruptesthai philei, Manoel António de Castro resgata o sentido original do ser e o nada. Por mais de três  horas o professor foi desvelando uma a uma as diversas palavras que constituem o ser sendo. Dentre elas as que mais ouvi foram:  entre, sendo, , possibilidade, verter, gestar e mais preciosa para mim: o vazio. Não aquele vazio malévolo que trazia comigo, mas um vazio novo, aquele onde irão morar todas as possibilidades. Aguardo ansiosa pela aula de hoje.

Techos 

Seguindo Leibniz, se nada é sem causa, desde que se conheça a causa, é possível conhecer toda e qualquer coisa. As pesquisas no mundo inteiro são guiadas pelo princípio do fundamento. E é em torno dele que se estruturam todas as Universidades. Daí predominar o educar enquanto instruir,onde se perde a dobra. Para reintroduzi-la é necessário lutar por um educar poético-originário. Segundo o princípio do não-fundamento, há uma outra possibilidade no educar, porque implica um outro saber. Que saber é esse?  Reforçando este saber e nos lançando em suas trilhas, Guimarães Rosa disse no conto “O espelho”: Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo. Se o nada acontece e acontece como milagreele pode fundar, mas jamais ser compreendido ou conceituado/explicado como um fundamento, como uma causa. Os pensadores medievais já diziam: Ex nihilo nihil fit (do nada nada se faz). Mas todo milagre diz da presença de um poder não-causal, não redutível a uma explicação causal. É um poder certamente mais poderoso (se isso fosse possível dizer), porque irredutível ao domínio racional, causal. Aí não há causa, porque é o nada acontecendo. Este é o poder do pensar. É impossível querer reduzir toda a realidade à possibilidade de determiná-la através de um fundamento. Pergunto: Qual é a causa do silencio? Qual o fundamento do não-saber? Podemos lembrar Édipo, a personagem-questão do humano de sempre em sua dobra. Achando que podia saber tudo e determinar o seu destino, descobre no final que, em vez de vencê-lo não o cumprindo, o cumprira. Soube que nada sabia e arranca os olhos, o sinal para o grego do não-saber por não poder ver, de onde provém todo saber. Não podemos confundir ver com olhar. Quantas vezes olhamos e não vemos! O ver que sabe é prévio a todo olhar, assim como o que somos é prévio ao estar sendo. Só por já sermos é que podemos estar sendo. O saber do pensar é o desafio poético de chegar a ser o que já desde sempre nos foi dado para sermos: nosso próprio. Édipo ao arrancar os olhos demonstra que sabe que não sabe por mais que parecesse saber. É o eclodir do saber do pensar. Trata-se de um saber sem fundamento.

Me fez lembrar de uma ocasião em que perguntei para Ricardo Aleixo para que é educar. 
A resposta: 
_ Para nada.

http://travessiapoetica.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário